sábado, 25 de julho de 2009

ENTREGA

لإسلام (Islamismo, em árabe).

(Este belo conjunto de sinais em árabe significa ALLAH - DEUS ).

Uma das melhores coisas de qualquer boa reflexão não são as respostas a que se chega. São as novas perguntas que surgem.

Numa matéria de poucos dias atrás falei que o amor e o sexo teriam suas maiores alturas somente quando a entrega era total.
Depois fiquei me perguntando: será que eu disse exato? será que fui entendido? Decidi estender um pouco esta linha de pensamento.

Mas não é entrega absoluta esta que adolescentes fazem quando arriscam o pouco que têm da vida na paixão pelo belo sorriso do vizinho? Não é entrega absoluta os fanáticos muçulmanos que gritam o nome de Deus antes de se explodirem com uma bomba ou jogarem um avião contra as Torres Gêmeas? Não é entrega absoluta os milhões de "atletas de Cristo" que povoam o Orkut e são nossos conhecidos e amigos?

Infelizmente não. Não duvido e nem deixo de ter uma ponta de admiração pela coragem do terrorista suicida (sem entrar no mérito de sua maldade e sua insanidade política). Não deixa de ser romântico as Julietas da vida, beijando os lábios envenenados do amado morto, enfiando um punhal no próprio peito e partindo junto para o além. Não deixa de ser um calmante das mentes mais abaladas e esperançosas se declarar Atleta de Cristo.

A questão é linear. Como se alguém fosse cobrar no correio o recebimento de uma encomenda que não foi postada. Entrega é uma coisa tão séria que uma das 3 religiões monoteísta do Ocidente tem o seu nome ISLAMISMO, de um termo que significa "submissão" a Deus, e que não deixa de ser uma forma de entrega.

PARA SE ENTREGAR VOCÊ PRECISA PRIMEIRO ENCONTRAR A SI PRÓPRIO. Romeu e Julieta, homens bomba e atletas de Cristo, por melhores que sejam suas intenções -e eu as louvo- não podem entregar o que não possuem. Ainda não podem se entregar, nem no plano físico nem no plano místico, até que possam encontrar a si próprios.
Como todos sabem, encontrar a si próprio demanda tempo, paciência, sofrimento, escolhas dolorosas, estudo e reflexão, que muitas vezes só conduzem a novas perguntas ... e não a respostas.